sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Eu sou menina

Tem um rato na minha casa. Estava lá eu no quintal, estendendo roupa (momento Amélia) quando ouço um barulho estranho e mando minha cachorra ir olhar. De repente surge ela seguindo um rato enorme, cinza, nojento. Fiquei apavorada, subi em cima da máquina de lavar e gritei p/ o meu irmão vir correndo me socorrer e fechar a porta da cozinha, senão aquele ser ia entrar em casa e aí sim eu ia surtar de vez. Daí o meu querido irmão fecha a porta da cozinha, me deixa lá fora sozinha com o rato e fica gritando p/ eu matar o bicho com uma vassoura! Como assim?! Gente, porque é tão difícil entender que eu sou mulher, sou do sexo feminino e tenho de medo de rato! Eu sofro p/ matar uma barata imagina um rato! Eu queria muito, mas muito mesmo entender isso. Sim, eu sou menina, tenho medo de rato, barata, besouros grandes e que partam meu coração. Eu choro em filme, em novela, em seriado, às vezes choro só porque o vento mudou de direção. Eu gosto de bichinhos coloridos com frufrus e sininhos. Amo bolsas e sapatos. Tenho medo de ficar sozinha, e gosto de combinar coisas. Não estou 100% satisfeita com meu corpo e sempre acho que podia estar mais magra. Sou carente e me entupo de chocolate quando fico assim e depois me sinto culpada. Tenho TPM e cólica todo santo mês. Porque é tão difícil entender isso?! Só porque sou brava, falo palavrão e tenho bem mais amigos homens? Não é assim! Eu não consigo matar um rato! Eu não consigo ser super-mulher 24 horas por dia! Já não basta trabalhar fora, cuidar da casa, cuidar do filho, pegar 50 milhões de ônibus por dia, tentar me manter o mais bonita possível dormindo 5 horas por noite, consolar um monte de gente, dar atenção p/ mais um monte, consertar as coisas quebradas, eu ainda vou ter que matar bichos nojentos?! Porque esses homens não me entendem e já que é p/ fazer tudo (pois eu já faço mesmo) antes só do que mal acompanhada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Espera


Eu sou estranha. Sou mesmo. Muito estranha, aliás. E ninguém consegue entender o que se passa comigo. Nem eu entendo como é que outra pessoa vai entender? Ninguém entende essa minha pressa, essa minha ansiedade em arrumar tudo, em querer que as coisas aconteçam ontem e não amanhã. Sou saudosista ao extremo, mas vivo pensando no que vai acontecer, e nas possibilidades. Se isso for assim então decido de um jeito, se for assado decido de outro e o presente que se lasque, não tá nada de bom acontecendo no presente mesmo. Eu odeio esperar. Porque eu odeio mesmo. Não tem nada pior do que ficar sem saber, do que ter que esperar alguma coisa acontecer. E aí dá fome o tempo todo, dá dor de cabeça, dá falta de ar. Porque fica tudo assim flutuando, sem decisão. E todo mundo me fala p/ ser mais calma, p/ ter mais paciência, porque o tempo resolve tudo e depois tudo se acerta. Mas depois do que meu Deus! O tempo do resto do mundo está desregulado com o meu tempo, só pode ser isso. Eu sou adiantada e não agüento imprecisão. Já esperei muito na minha vida, por coisa demais. Desculpa, mas não consigo ficar calma e deixar p/ ver como é que vai ficar. Eu quero tudo e eu quero agora, de uma vez, mesmo que isso traga conseqüências que eu não esperava. Já tô acostumada a me ferrar mesmo, uma vez a mais uma vez a menos tanto faz.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Casimiro de Abreu

Meus oito anos

Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh ! dias da minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,

- Pés descalços, braços nus
-Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais! .

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

LUTO

Mamãe
"Pessoas como você passam pela vida, a tornam mais bonita
o mundo mais humano e depois vão brilhar no céu".

Saudades!